segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

38 - Coronel Manoel Antônio dos Santos Dias, Primeiro Prefeito Eleito da Escada.



CORONEL SANTOS DIAS
Manoel Antônio dos Santos Dias nasceu no dia 1º de maio de 1838 na freguesia da Escada e foi batizado em junho do mesmo ano na capela do engenho Jundiá. Era filho de Manoel Antônio Dias senhor do engenho Noruega e de sua segunda esposa Feliciana Teresa do Nascimento. Seu pai juntamente com ele e seu irmão José Cândido Dias chegaram a ter nove engenhos na região.
Foi chefe político de prestígio no município de Escada e ocupou vários cargos de eleição popular. No antigo regime militou na política liberal, com toda lealdade e dedicação, gozando de muito critério e real prestígio. Era membro da guarda nacional imperial, onde iniciou com alferes e chegou a ser coronel.
Em 1868, foi nomeado subdelegado do 2º distrito de Escada, em 1880, juiz de paz também do 2º distrito e, em 1889, delegado.
Ao ser proclamada a república, o coronel Santos Dias aderiu à nova forma de governo, sendo eleito o primeiro prefeito do município do município de Escada, ao qual, durante todo o tempo de seu governo, prestou relevantes serviços. Seu governo ficou composto dos seguintes membros:
Prefeito – Coronel Manoel Antônio dos Santos Dias e subprefeito – Dr. Henrique de Barros Lins.
Conselho Municipal – Florismundo Marques Lins, barão de Utinga, Major Fábio Veloso Freire, capitão Leocádio Alves Pontual, Joaquim Luiz da Costa Ribeiro, José Joaquim Barbosa, Apolônio Tobias Vieira de Souza, José Francisco de Arruda Falcão, Manoel Tomé de Oliveira e Antônio Francisco de Araújo Costa.
AGUEDA AVENTINAL PONTUAL
O coronel Santos Dias casou duas vezes. A primeira com dona Filonila Teresa Dias, falecida no dia 15 de fevereiro de 1891, com a qual teve os seguintes filhos: Dr. José Cândido Dias (primeiro casamento, Francisca Águeda Pontual Rangel; segundo, Dulce Rangel Dias); Pedro dos Santos Dias (casado Maria Gentil de Barros Correia); Manoel Antônio dos Santos Dias Filho (casado com Luíza Beltrão); André dos Santos Dias (casado com Jahel Beltrão); Teresa dos Santos Dias (casada com Dr. José Rodrigues Tavares de Melo); Filonila Tereza Dias (casada com Zenóbio Marques Lins); Ana dos Santos Dias (casada com Zeferino Veloso da Silveira Pontual) e Feliciana dos Santos Dias (falecida pequena). Casou a segunda vez com Águeda Aventina Pontual, irmã dos barões de Frexeiras Petrolina, não havendo descendência dessa união.
Ele era proprietário da usina Santa Filonila construída no engenho Jundiá. Em 1895 recebeu uma concessão do governo do estado para construir uma nova usina no engenho Bonfim localizado em terras do município de Amaraji. Também obteve um empréstimo de 200 mil contos de reis para aquisição do maquinário. A usina foi chamada de União e Indústria. O governo do estado também subsidiou a construção de uma linha férrea ligando a estação de Frexeiras à usina União e Indústria, Primavera, seguindo até Amaraji. A estação de Amaraji foi inaugurada em dezembro de 1909. Com a inauguração da União e Indústria, a usina Santa Filonila foi desativada.
Um fato trágico ocorreu com a família do coronel em 1899. O cangaceiro Antônio Silvino, deixando Canhotinho, onde se achava com todo bando alistado na guarda municipal, vem até a mata sul do Estado para atender a convite do coronel e senhor de engenho Epaminondas de Melo Barreto, por mãos de quem vem a conhecer os irmãos Eduardo e José Tavares de Melo, do engenho Arandu de Cima, que o contratam por seis contos de reis para atacar a casa-grande de Usina Santa Filonila, em Escada, e raptar Dona Tereza Pontual dos Santos Dias Melo, esposa de José Tavares e deste afastada por desentendimentos graves. Tereza era filha do usineiro, coronel Manuel Antônio dos Santos Dias, dono da Empresa de Ferro Carril de Pernambuco e um dos líderes da açucarocracia da época.
Às seis horas da manhã de 10 de Outubro, a casa-grande da usina Santa Filonila esteve cercada, ocorrendo um violento tiroteio. O usineiro com a filha Tereza e um outro filho encontravam-se num outro local da usina, de onde fugiram de trole para o engenho Limoeirinho, do barão de Suassuna.
O ataque, além de inútil, provocou a morte de vários criados do coronel, inclusive duas auxiliares da cozinha, e uma filha menor do usineiro, Feliciana dos Santos Dias de 13 anos de idade, que passou inesperadamente pela linha de fogo do próprio Antônio Silvino e foi atingida. Em 18 anos de vida no cangaço, este foi o único crime a merecer o arrependimento expresso do chefe cangaceiro.
Na fuga da usina, o grupo foi cercado em Gravatá pelo subdelegado e jagunços do coronel Santos Dias. Silvino conseguiu fugir baleado no braço, perdeu dois cangaceiros e escapou, procurando abrigo na Paraíba.
O coronel Manoel Antônio dos Santos Dias faleceu no dia 13 de janeiro de 1905, aos 67 anos de idade, no engenho Sapucagi, na residência de seu genro Dr. Zenóbio Marques Lins. Vitimou-o uma afecção cardíaca que o deteve no leito durante vários dias.
Muito bem relacionado nos meios sociais do estado e de estados vizinhos, o coronel gozava de grande simpatia dos que tinham a felicidade de conhecê-lo. Homem trabalhador e honesto, a sua morte causou o mais profundo pesar no seio de seus inúmeros amigos. Ele foi sepultado na capela da usina Santa Filonila, em Escada, com a presença de grande número de amigos.
Homem inteligente e de grande atividade, sério em suas transações e afável no modo de tratar, o ilustre falecido deixa a seus numerosos descendentes um nome limpo e um edificante exemplo de honestidade e cavalheirismo.

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