quarta-feira, 25 de novembro de 2015

1 - Os primeiros Moradores da Região..


Em 1861, a aldeia da Escada, situada a dez léguas da cidade do Recife (cerca de 62 km), era considerada oficialmente “a mais rica da Província de Pernambuco”, em virtude da reconhecida fertilidade do solo, numa região com matas virgens e irrigadas por rios e numerosos riachos. Essa riqueza natural permitia uma vida economicamente estável aos moradores.

A presença portuguesa, onde mais tarde seria constituída a Aldeia da Escada, remonta a fins do século XVI, quando religiosos franciscanos fundaram entre os índios Caetés uma missão que se estendia do extremo sul de Pernambuco até o Porto das Pedras, atualmente em Alagoas. Posteriormente, a missão foi assumida pelos Jesuítas que a abandonaram em 1635 e foram substituídos pelos padres Oratorianos em 1670, quando foi fundada a Aldeia de Nossa Senhora da Apresentação. Os Oratorianos para sua ação catequética construíram um oratório local destinado a uma devoção religiosa, no cimo de um morro acessado por uma escada de degraus cavados na terra. A partir de então a localidade passou a ser conhecida como Nossa Senhora da Escada e nos anos seguintes, apenas como 

Registros históricos dão conta que os índios de Escada receberam por requerimento a Coroa Portuguesa, a doação de uma Sesmaria com uma légua de terra como recompensa pela participação nos combates ao Quilombo dos Palmares. Ao que tudo indica, se juntou aos antigos habitantes da missão em Escada outros indígenas envolvidos na guerra contra os quilombolas. Em 1774, os aldeados de Escada compraram mais uma sesmaria de uma légua de terra em quadro no lugar denominado Serra da Rola, a uma distância de duas léguas da aldeia da Escada, passando assim a possuírem duas léguas de 

Destes índios aldeados, a maior parte deles possuía “casa de telhas e lavouras”, havendo entre eles um índio chamado José Francisco Ferreira que era proprietário de dois engenhos de açúcar chamados de Boa Sorte e Cassupim, “custeados” pelos próprios índios. A população indígena na época era oficialmente contabilizada em 292 pessoas, possuindo as famílias, em média, de dois a cinco filhos, existindo casos de famílias mais numerosas com até sete filhos. A maior parte dos indígenas morava em terras do Engenho Cassupim, estando os demais espalhados pelos diversos outros engenhos e localidades em Escada.

Esbulhos de terras e estratégias de resistência indígena

O Diretor Geral dos Índios, no seu “relatório” de 1861 sobre as aldeias da Província, afirmava terem aumentado as tradicionais invasões da área indígena em Escada. Os invasores “atraídos pela riqueza dos terrenos” tinham construído 16 novos engenhos para fabrico do açúcar no lugar. Além dos engenhos, existiam trinta e oito pequenas propriedades, declarando a autoridade ser “necessário destinar alguns sítios para trabalho dos índios”.

Em 1868, o índio Manoel Ignácio da Silva, dirigiu um Requerimento ao Presidente da Província em seu nome e “em nome de seus companheiros índios aldeados na Freguesia da Escada”, solicitando a intervenção oficial para evitar não serem “ele e seus companheiros esbulhados dos terrenos” que possuíam no lugar conhecido como Propriedade das Minas. Afirmava o requerente que por possuírem os índios de Escada terrenos férteis, estes tinham sido “absorvidos por homens cobiçosos”. Os indígenas moradores em “Minas” se organizaram após ameaças da perda total de suas terras para o proprietário do Engenho Amizade, que tinha prejudicado as plantações indígenas com águas represadas de um açude construído no local.

O desejo da extinção da Aldeia da Escada foi sempre alimentado pelos senhores de engenho invasores das terras indígenas, com contínuos esbulhos das terras do aldeamento. Arrendatários oficialmente reconhecidos, através de vários subterfúgios boicotavam os pagamentos dos irrisórios valores devidos.

2 comentários:

  1. Está explicado como,vários senhores de engenhos possui e adquiriram suas propriedades,terras. Até meus familíares,expulsando seus verdadeiros donos os índios.

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  2. Meus parentes em Escada são: Nestor José de Mello, Gonçalo José de Mello, Florentino José de Mello, André Hybernon de Mello, Anna Mello Monteiro, João Florentino de Mello a Família do Barão de Limoeiro (Manoel Barbosa da Silva) - minha bisavó: Joanna Barbosa da Silva Mello.

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