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| Antônio Alves da Silva, barão de Amaraji |
Se pai,
ao chegar de Portugal, arrendou o engenho Aripibu. Ali ele plantou cana e criou
gado e ganhou tanto dinheiro com a agricultura e pecuária que no dia 00 de x de
1832 comprou uma imensa área de terras cobertas de matas virgens e cortadas
pelo caudaloso rio Amaraji. Dessa área foram desmembrados os engenhos Amaraji
d´Água, Raiz, Bamburral, Garra, Autonomista, Beija Flor, Tapuia e Contendas.
Manoel Alves da Silva morreu em 1862 e Antônio Alves assumiu os negócios da
família. Mesmo não tendo formação acadêmica, era bem mais requintado e urbano,
dividindo seu tempo entre a casa do engenho Amaraji e o palacete da Rua Sete de
Setembro, em Recife. Foi ele quem construiu a casa grande que existe até hoje
existe na propriedade. A anterior, seguia o mesmo padrão dos casarões
tradicionais dos séculos XVIII e XIX.
Casou-se
com Antônia Alves de Araújo, nascida em 1836 e filha de José Pereira de Araújo
e X X. e irmã do comendador José Pereira se Araújo. O casal teve seis filhos:
Davina Alves de Araújo, casada com Dr. José Domingues da Silva; Maria José
Alves de Araújo, casada com o barão de Contendas; Francisca Alves de Araújo,
Flora Alves de Araújo, Dr. Antônio Alves de Araújo e Júlio Alves de Araújo.
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| Antônia Alves de Araújo, a baronesa |
O
senhor de engenho tinha amigos de todas as classes sociais e a casa do engenho
Amaraji era conhecida pelas festas que ele proporcionava. Os convidados eram os
senhores de engenhos vizinhos, muitos seus aparentados, artistas, nobres e os
amigos que moravam em Recife, entre eles, o comendador Manoel Figueiroa de
Faria, proprietário do Diário de Pernambuco.
Antônio
Alves da Silva foi agraciado pelo imperador Pedro II com o título de barão de
Amaraji, pelo Decreto imperial de 29 de dezembro de 1867. Era uma retribuição
pela doação de 20 mil contos de reis que ele havia feito ao império na época da
guerra do Paraguai. Seu filho mais velho, Antônio Alves de Araújo, recebeu a
patente de “cadete”.
Certa
vez, chegou ao conhecimento do barão que um lavrador vizinho, conhecido por seu
temperamento desapontador, havia concedido carta de liberdade a duas filhas
pequenas de uma estimada mucama da casa grande. Isso era coisa muito comum na
época, mas de se espantar nesse caso, por se tratar do senhor de engenho
vizinho, conhecido por sua avareza. A benesse, entretanto, durou pouco. Com a
morte da mucama anos depois, ele tornou sem efeito as prerrogativas das duas
cartas de liberdade, trazendo de volta à escravidão as duas pequenas libertas.
Sabendo do sucedido, o barão de Amaraji, contratou um advogado. Dr. Feitosa,
para fazer a defesa das menores já alforriadas. Essa questão, baseada no art.
179 do antigo Código Criminal, levou tempo e custou uma boa soma. A ação chegou
à Suprema Corte que deliberou reconhecer o direito das menores, libertando-as.
O barão custeou todas as despesas, até a viagem e estadia do advogado no Rio de
Janeiro, que foi acompanhar e defender a apelação.
No
início da década de 1870 o barão ficou gravemente doente e, não obtendo nenhuma
melhora com o tratamento realizado pelos médicos de Recife, viajou para Lisboa
em busca dos avanços da medicina do primeiro mundo. Em Portugal também não foi
bem sucedido e veio a falecer no dia 12 de dezembro de 1872. Na ocasião de sua
morte estavam presentes todos os seus familiares.
No
livro “História de uma Fotografia”, Gileno de Carli, segundo lhe foi relatado
pela neta do barão Áurea Araújo, conta que a baronesa Antônia Alves, que não
queria deixar o corpo do marido enterrado numa terra estranha, tentou trazê-lo
embalsamado de navio, mas a legislação da época proibia o embarque de
cadáveres, mesmo no formol. Então ela teve a ideia de trazer o corpo
acondicionado numa caixa de piano. O plano deu certo. No desembarque em Recife,
quando a “caixa do piano” ia sendo içada numa rede do navio para o barco que a
levaria ao cais, o pequeno Antônio Alves grita: “Cuidado com meu pai!”, momento
em que a baronesa vira-se pra ele e o repreende: “Cala a boca, menino!” E assim
o corpo chegou a Pernambuco no dia 29 de maio de 1873.
Os restos mortais do barão foram transladados de trem do Recife para a estação de Aripibu e, da lá, levados para a capela do engenho Amaraji d´Água, onde foram depositados no jazigo da família. Em 2013, seu ossos foram transferidos para um mausoléu construído no interior da matriz de São José em Amaraji numa solenidade onde estiveram presentes alguns de seus descendentes. A construção do mausoléu foi uma brilhante ideia do vigário da paróquia, Padre Adriano Tenório Rodrigues, uma vez que o jazigo da antiga capela do engenho havia sido destruída por vândalos e caçadores de "botijas".
Os restos mortais do barão foram transladados de trem do Recife para a estação de Aripibu e, da lá, levados para a capela do engenho Amaraji d´Água, onde foram depositados no jazigo da família. Em 2013, seu ossos foram transferidos para um mausoléu construído no interior da matriz de São José em Amaraji numa solenidade onde estiveram presentes alguns de seus descendentes. A construção do mausoléu foi uma brilhante ideia do vigário da paróquia, Padre Adriano Tenório Rodrigues, uma vez que o jazigo da antiga capela do engenho havia sido destruída por vândalos e caçadores de "botijas".


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